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Treze Porquês Não

“Todas as alterações foram salvas no Google Drive” é uma mensagem que aparece aqui, enquanto escrevo, caso pare alguns poucos segundos para pensar. O mesmo ocorre se eu resolver tirar uma foto. Sorte é que a maioria das fotos que tiro são com roupa, mas os servidores não se importam. Até identificam, mas não se importam.

 

E, de repente, uma foto sua é tirada.

E, de repente, uma foto sua é enviada.

Prisões Invisíveis

 

Existem regras que somos obrigados a seguir. A obrigação não significa que é algo perpétuo e impossível de ser modificado, mas que a destruição da obrigação te coloca fora do ambiente de onde a regra existe. Em curtas palavras, isso quer dizer que se você quer participar de um clube de donos de Pugs, você precisa ter um Pug. Se você der seu Pug a alguém – se é que isso é possível – então você perde o direito de ir ao clube de Pugs, mas também perde a obrigação de ter um Pug.

Não foi só um tomate

Lembro, em 2010, quando identifiquei um comportamento em mim que tive repúdio e trabalhei até extinguir, tanto que a memória cravou até hoje. Estava com uma amiga na cantina da faculdade junto de um grupo de pessoas desconhecidas e me sentindo deslocado. Minha única amiga da mesa estava comendo um sanduíche e, de repente, um tomate escorre e ela vira para mim – e exclusivamente para mim – tentando pegar o tomate com a boca.

 

Eu ri dela.

 

Não foi algo alarmante nem chamou atenção de ninguém, mas logo depois ela me chamou atenção e disse “eu virei para você porque você era a única pessoa quem eu confiava na mesa”. Isso me corroeu. O que acontece é que, com essa necessidade de sermos aceitos, vez ou outra ferimos aqueles que estão próximos a nós, aqueles que se sacrificariam por nós. Não foi apenas um tomate, foi um pedido de socorro que eu não atendi. Como eu estava deslocado, agindo como alguém “fora do grupo”, rir de uma integrante do grupo parece ter sido uma tentativa de entrar nele. Estúpida tentativa.

 

Efeito Manada

O quanto que essa aceitação social nos deixa prejudicar aqueles que amamos? O quanto deixamos de ser quem somos apenas para poder ter a obrigação de seguir as regras de um grupinho? É tão importante ao ponto de não lutar? A norma social do grupo te obriga a fazer algo que vai contra seus princípios? Talvez o próprio grupo em si, juntos, consiga ferir o princípio de todos quando estão juntos.

 

Você tem um momento desse guardado aí na memória? Sei que esse não é o único meu, mas quando penso em ferir alguém que amo para “fazer parte”, é dele que lembro. E você, se tiver algum,

  • como teria reagido se fosse diferente?
  • Como teria sido sua relação com a outra pessoa?
  • O quanto dói hoje e quais foram os efeitos disso?
  • Já fizeram isso contigo? Ao invés de ser capataz, vítima?
  • Alguma situação similar que te chame atenção?

E continuamos nós a viver. Com Tomate, sem Tomate, ferindo quem amamos, exaltando quem “não nos importando”. Até que ponto isto é saudável? Até que ponto devemos ir?

 

E, de repente, todas as alterações foram salvas mas, na vida real, não é possível voltar atrás. O que podemos fazer para agir diferente, agir melhor, em ocasiões futuras?

Categorias: Blog

Rodrigo Nask

Sou Pó de Estrela que Bebe Pó de Café com Água.

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